Morreu no dia 23/12 uma das mais importantes artistas mulheres do Brasil, a pintora carioca Wanda Pimentel (1943-2019), no Rio de Janeiro. Wanda realizou uma mostra individual marcante há dois anos atrás, no MASP e, no ano passado, no MAC de Niterói, integrou uma mostra com outros nomes de peso – Anna Bella Geiger (1933-), Lygia Clark (1920-1988) e Mira Schendel (1919-1988).

Seu trabalho começou a se desenvolver na década de 1960, quando foi aluna de Ivan Serpa e circulava entre os grupos de artistas ligados à arte concreta e neoconcreta. Bem no centro do crescente endurecimento da ditadura, em 1969, realizou sua primeira exposição, na Galeria Relevo, que na época organizava mostras de diversos nomes hoje centrais na arte brasileira. Sua linguagem visual escolhida foi sempre a pintura, tomando partido de uma estética pop – linhas muito duras, cores vibrantes, um acabamento quase industrial. Mas a primeira série da artista, “Envolvimento”, tinha particularidades muito únicas: as cenas internas, geralmente domésticas, eram pontuadas de um lado com utensílios, objetos de consumo, de luxo e, por outro, por partes de corpos femininos, fragmentos brancos que pontuavam com alguma humanidade as construções geométricas, quase esquemáticas, da artista.

Como afirma o crítico e curador Raphael Fonseca em artigo publicado na Folha de São Paulo por ocasião da notícia do falecimento de Pimentel, “A produção de Wanda é essencial não só para se refletir sobre artistas mulheres, mas para compreender a produção pictórica no país”, o que torna essa é uma das maiores perdas para a arte brasileira na década.

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