“Cem anos modernos” no MIS traz desde Anita Malfatti a Anitta cantora

A exposição de curadoria de Marcello Dantas e José Miguel Wisnik coloca o visitante em labirinto para tirar suas próprias conclusões do que é ser moderno hoje

Tempo de leitura estimado: 3 minutos
Anita Malfatti
Tropical (1917) de Anita Malfatti. Acervo Pinacoteca do Estado de São Paulo

O que Anitta, Emicida, Racionais MC’s e Elza Soares tem de modernismo? A exposição que abre hoje no MIS (Museu da Imagem e do Som) nos afirma que tem tudo! Para encerrar com chave de ouro a programação do Governo do Estado de São Paulo que celebra o Centenário da Semana de 22, o centro cultural traz a mostra Cem anos modernos, que é centrada nos diversos Brasis que existem e são reafirmados até hoje nos mais diferentes tipos de manifestações artísticas. 

O curador Marcello Dantas nos indaga em coletiva: “Por que ainda estamos falando disso? Porque ainda precisamos ser modernos!”. Sob a perspectiva da urgência de afirmar uma identidade nacional, não há nada mais moderno, e nada mais contemporâneo também, do que Girl from Rio de Anitta e AmarElo de Emicida, por exemplo. Os cantores citados estão presentes na exposição em diálogo com Lygia Clark, Hélio Oiticica, Denilson Baniwa, Abdias Nascimento, entre muitos outros. Sendo assim, fica provado que o modernismo ainda está presente nos dias de hoje, atravessando as artes visuais, teatro, cinema, televisão e a internet contemporânea.

Grande Otelo_Macunaíma
Grande Otelo em “Macunaíma”, 1969

Apostando num caráter exploratório em formato de labirinto, a exposição também é altamente interativa, não apenas por propôr que o visitante literalmente abra as portas dos caminhos que desejar seguir, mas principalmente por ele ser guiado pela própria intuição e curiosidade. Diferentemente do que é comum no circuito de grandes exposições, especialmente no espaço do MIS, não há um caminho específico a ser traçado. Portanto, cada um pode ter uma experiência completamente distinta do outro e escolher, dentro do turbilhão de informações que estão expostas, ao que dar mais atenção. “Duas pessoas não viverão a mesma exposição”, explica Dantas.

A co-curadoria do compositor José Miguel Wisnik, indica um outro fator significativo: a possibilidade de um mapa sonoro que nos guia na visita. Todos os caminhos, porém, nos levam para um ambiente comum: o Espaço Redondo do MIS, onde é projetada uma filmagem em 360 graus do Theatro Municipal de São Paulo, principal palco da Semana de 22.

Da mesma maneira que Cem anos modernos acontece em um labirinto de caminhos abertos, entende-se que a discussão identitária nacional ainda é um movimento em construção que nos convida a uma participação ativa. E assim nos deparamos com a questão estampada nas paredes da entrada e, consequentemente, também saída da exposição: “E agora, José?” “E agora, você?” 

Denilson Baniwa
Re-Antropofagia (2018) de Denilson Baniwa

Serviço 

Cem Anos Modernos

Local:  Museu da Imagem e do Som (MIS)
Endereço: Av. Europa, 158, Jd. Europa – São Paulo – SP
Abertura: Dia 02 de junho, das 15h às 17h
Data: De 03 de junho até 28 de agosto de 2022
Funcionamento: De terça a domingo, das 11h às 19h.
Ingresso: R$15 a R$30. Gratuito nas terças-feiras.

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