Nara Roesler Rio de Janeiro apresenta individual de Laura Vinci

Intitulada Maquinamata, mostra traz conjunto de escultura cinéticas inéditas da artista Laura Vinci

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morro mundo mundo, 2020, Laura Vinci.
morro mundo mundo, 2020, Laura Vinci.

Um conjunto de obras cinéticas criado especialmente para o evento é o foco da exposição individual Maquinamata, da artista Laura Vinci, na Nara Roesler Galeria do Rio de Janeiro. Acompanhada por um texto crítico de Felipe Scovino, a mostra explora relações sutilmente inusitadas entre o universo mecânico e o natural. A prática artística de Vinci esteve sempre fortemente conectada à natureza, seja pela utilização de seus elementos, seja pela apropriação de suas formas.

Em No ar, por exemplo, ela utiliza bicos de aspersão em alta pressão, fazendo com que a água lançada fique entre o estado gasoso e o estado líquido, criando assim uma espécie de neblina que se espalha pelo espaço expositivo, seja ele fechado ou ao ar livre. Em Estados, Vinci emprega estruturas de refrigeração para condensar partículas de água suspensas no ar, fazendo-as visíveis em letreiros de metal, enquanto em Máquina do mundo, obra que integra o acervo permanente de Inhotim, uma esteira transporta pó de mármore de um lugar a outro, em um esforço repetitivo, lento e ostensivamente não produtivo.

Ramo, 2020, Laura Vinci.

O título da exposição possui significados múltiplos, pois tanto fala da força destruidora da máquina, levando-nos a pensar nos efeitos da industrialização desenfreada no mundo, como propõe pensarmos a mata como uma espécie de máquina, tendo em vista a delicada engenharia interna que envolve os mecanismos desenvolvidos para sua sobrevivência e sua extraordinária capacidade expansiva e multiplicadora. Maquinamata define bem, ao mesmo tempo, o caráter dúbio e instigante dos trabalhos apresentados por Vinci, que aliam pequenos motores com estruturas de folhas e galhos naturais feitos em latão. Acionando fragmentos evocativos da natureza – uma folha que rodopia no ar, galhos sacudidos como se fosse pelo vento, inesperados sopros de pólen – , tais dispositivos despertam uma aura que ressoa poeticamente em nossa memória afetiva, mostrando-se ao mesmo tempo, de maneira perturbadora e quase sinistra, fantasmáticos e robóticos. 

Laura Vinci aponta para a urgência de criarmos novos paradigmas para os modos como percebemos e nos relacionamos com aquilo que chamamos ainda, talvez tarde demais, de mundo natural. A máquina, criação humana por excelência, representativa do desenvolvimento industrial que nos distanciou da natureza, é abordada pela artista numa direção incomum – a de uma aproximação sensível que é ao mesmo tempo humorada e corrosiva, lírica e pungente.

Serviço:

Maquinamata

Local: Nara Roesler Rio de Janeiro 

Endereço: Rua Redentor 241, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ

Data: De 9 de junho a 6 de agosto de 2022. 

Funcionamento: Segunda a sexta das 10h às 19h; Sábados das 14h às 18h. 

Ingresso: Grátis

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