Rafael BQueer apresenta cena drag da Amazônia em seu novo projeto

Sessão com quatro curtas inéditos, seguida de debate com o artista, ocorrerá no IMS Paulista; evento marca o Dia da Visibilidade Trans

Tempo de leitura estimado: 2 minutos

Celebrado desde 2004 no dia 29 de janeiro, o Dia da Visibilidade Trans costuma ser relembrado, não à toa, por meio de notícias devastadoras sobre os diferentes tipos de violência e discriminação sofridas por esse grupo. 

Não deixa de ser importante (talvez por isso seja ainda mais) colocar em destaque o outro lado dessa moeda: o da potência artística e criativa de homens e mulheres trans e travestis, tema que será levantado e discutido amanhã, 29 de janeiro, no IMS Paulista

A partir das 17h, serão exibidos quatro curta-metragens inéditos que a artista Rafael BQueer realizou com apoio da bolsa ZUM/IMS 2020. Após a sessão, ela, Paulete Lindacelva, curadora independente, e Symmy Larrat, presidenta da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT), irão debater sobre os filmes, o Dia da Visibilidade Trans, a inserção LGBTQIA+ nas artes e os movimentos artísticos organizados fora do eixo sudeste.

Cena do filme Hierogritos. Mercado do Ver-o-peso /Belém 2021. Crédito: David Pacheco
Cena do filme Hierogritos no Mercado Ver-o-Peso, Belém, 2021; foto: David Pacheco

Themônias

Gravados no ano passado, os curtas são protagonizados por integrantes do coletivo Themônias — do qual Rafael é uma das fundadoras — que reúne mais de 150 pessoas que se montam e se apresentam na cena drag de Belém. O grupo se formou em 2014, num movimento que começou na festa Noite Suja. 

Themônias reflete, já no nome, a estética distante do padrão das drags luxuosas (comuns em realities) e evoca o rico universo amazônico: as pajelanças (rituais de cura indígenas), o carimbó, as lendas, o tecnobrega. Themônias também subverte o fato dos corpos LGBTQIA+ terem sido historicamente demonizados e apresenta-se como forma de ativismo e resistência.

Cena do filme Torre de Babildre. Crédito: David Pacheco.
Cena do filme Torre de Babildre; foto: David Pacheco

Em O nascimento, Uhura BQueer é uma drag alienígena que chega numa floresta devastada pelas chamas e luta para sobreviver em meio ao fogo — numa metáfora da atual crise ambiental brasileira. 

Já em A bela é ploc, Tristan Soledade faz uma performance de bate-cabelo no Palacete Bolonha, prédio de estilo francês construído na capital paraense no início do século 20, trazendo à tona duos como modernidade x tradição, colonização x resistência.

Em Torre de Babildre, Monique Lafond usa passos da dança “vogue-ninja” para lutar contra uma estátua da liberdade instalada em uma loja da Havan e coloca em questão a influência da cultura americana. 

No último curta, Hierogritos, 13 artistas se dirigem ao turístico Mercado Ver-o-Peso em Belém e, por meio de performances e apresentações, impõem sua presença no espaço, em um ritual coletivo de afirmação dos seus corpos e ancestralidades.

Sessão especial comentada | Pré-estreia de Thêmonias + Dia da Visibilidade Trans

Data: 29 de janeiro, às 17h 

Local: IMS Paulista

Endereço: avenida Paulista, 2.424

Ingresso: grátis, mediante apresentação do certificado de vacinação e documento oficial com foto; distribuição de senhas 1 hora antes do evento e limite de 1 senha por pessoa (50 vagas).

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