Bruno Novelli e do coletivo MAHKU “invadem” casa modernista

A exposição organizada pelo Carmo Johnson Projects traz um diálogo mágico entre o artista cearense e o grupo de pintores do povo Huni Kuin

Pinturas de Bruno Novelli e Makhu
Pinturas de Bruno Novelli (à esq.) e Makhu ( à dir.) na casa projetada por Joaquim Guedes

O que pode unir dois artistas? Ou melhor, um artista da cidade e um grupo de artistas indígenas? A floresta! Parece sublime ver trabalhos de Bruno Novelli e do coletivo MAHKU. Não é uma sensação aleatória: eles se conectam e se comunicam por meio da magia mesmo, da ayahuasca e das chamadas “mirações”, uma espécie de visão durante os rituais Huni Kuin. 

Liderado por Ibã Sales, o MAHKU é um coletivo de artistas indígenas do povo Huni Kuin, que pinta a partir de cantos xamânicos que traduzem saberes, rituais e tradições do que se conhece como “espírito da floresta”. Convidado pelo curador Daniel Dinato, que estuda e convive com os Huni Kuin há anos, Bruno passou um mês na floresta aprendendo com o povo indígena. 

O resultado você pode ver até o dia 19 de junho na exposição Tudo é perigoso, tudo é divino, maravilhoso, curada por Daniel – um projeto da Carmo Johnson Projects. Trata-se de uma ocupação de uma linda casa de arquitetura brutalista projetada por Joaquim Guedes no Pacaembú com pinturas inéditas de Bruno e alguns integrantes do MAHKU – geralmente eles assinam com o nome do coletivo, pois vários podem trabalhar numa mesma obra, mas em alguns momentos é possível ver o nome de um deles sobressair ( aqui é possível encontrar criações de Acelino Tuin, Cleiber Bane, Cleudo Sales,  Ibã Sales, Pedro Maná, Edilene Yaka e Isadora Kerexu).  

Pintura do coletivo Makhu
Pintura do coletivo Makhu

A interpretação dos cantos, geralmente acompanhados pelo consumo de ayahuasca, revelam uma poética singular: as narrativas visionárias contam a história do povo Huni Kuin numa linguagem gráfica similar aos hieróglifos do Egito antigo – são diferentes entre si, mas sempre trazem traços fortes, ultra coloridos e cheias de grafismo. Geralmente conduzidas pela jiboia e indicam caminhos para processos de cura.  

Um dos objetivos do grupo, vale ressaltar, é sincero e ambicioso: usar o dinheiro obtido com a venda de obras de arte para comprar mata virgem e protegê-la do desmatamento. 

Bruno Novelli
Pintura de Bruno Novelli na casa projetada por Joaquim Guedes

Enquanto os indígenas transformam em arte tudo o que podem ver e aprender com a floresta, Bruno relaciona uma ampla gama de imaginários e símbolos que transitam entre o tropical, o popular, o místico e o ficcional – um leão psicodélico pode aparece ao lado de figuras misteriosas retiradas da História da Arte, grafismos com inspiração indígenas e detalhes que dialogam com o grafite e o pixo.  

Agende sua visita pelo email contact@carmojohnsonprojects.com

Pintura de Bruno Novelli na casa projetada por Joaquim Guedes
Pintura de Bruno Novelli na casa projetada por Joaquim Guedes