A dramática história de vida de Artemisia Gentileschi vai virar série de TV

De acordo com a produtora da série, a pintora barroca era “uma mulher jovem e corajosa que superou o abuso e o transformou em genialidade”

Judith Slaying Holofernes, de Artemisia Gentileschi, c. 1614–1620
Judith Slaying Holofernes, de Artemisia Gentileschi, c. 1614–1620

Depois de virar tema de uma aclamada exposição no London National Gallery e personagem principal no novo filme de Pedro Almodóvar , Artemisia Gentileschi será tema série de TV com roteiro da ViacomCBS International Studios.

Uma das poucas mulheres a ser reconhecida pelo seu talento em seu tempo, numa comunidade artística dominada pelos homens, Gentileschi foi treinada pelo pai, também pintor,  Orazio Gentileschi. Mas quando ele contratou Tassi como professora de Gentileschi, sua vida mudou para sempre. Tassi estuprou Gentileschi, de 17 anos, e seu pai entrou com uma ação em seu nome. O professor controverso foi considerado culpado, mas sua sentença de exílio de Roma nunca foi executada. Apesar do trauma, Gentileschi, por sua vez, alcançou notoriedade.  Casou e mudou-se para Florença logo após o veredicto e lá foi a primeira mulher a ingressar na Accademia delle Arti del Disegno, tornando-se pintora da corte dos Médici.

Self-Portrait as Saint Catherine of Alexandria, de Artemisia Gentileschi, c. 1615–17
Self-Portrait as Saint Catherine of Alexandria, de Artemisia Gentileschi, c. 1615–17

Ela instigou imaginação do público e a conquistou aprovação dos críticos com suas representações de violência sexual e mulheres fortes. De acordo com Frida Torresblanco, conhecida pela série Pan’s Labyrinth, que assinará a série ao lado de Jill Offman, a pintora barroca era “uma mulher jovem e corajosa que superou o abuso e o transformou em genialidade”

A produção será baseado na biografia Artemisia Gentileschi: The Image of the Female Hero in Italian Baroque Art, de Mary Garrard, e incluirá temas cruciais e da vida da pintora barroca, incluindo  detalhes sobre o julgamento de estupro de Gentileschi –  o livro traz um registro horrível de como ela foi forçada a passar por um exame ginecológico e foi torturada para provar a verdade de suas acusações contra o pintor Agostino Tassi e a série deve reproduzir a situação sem pudor. 

Maria Magdalena in Esctasy, de Artemisia Gentileschi
Maria Magdalena in Esctasy, de Artemisia Gentileschi

Embora este seja o primeiro programa de televisão baseado na vida de Gentileschi, ela foi o tema de um filme de 1997, Artemisia, estrelado por Valentina Cervi e dirigido por Agnès Merlet. A obra, no entanto, descreveu de forma polêmica a relação de Gentileschi com Tassi como consensual. O novo trabalho visual promete ser diferente: “Agora, mais do que nunca, se faz necessário inspirar-se em sua história de vida e sua arte. Será uma obra feminista contemporânea, ao mesmo tempo provocante e transgressora, invocando o espírito do nosso momento presente de forma eloquente e elegante.”, revelou Torresblanco.

Valentina Cervi interpretando Artemisia Gentileschi
Valentina Cervi interpretando Artemisia Gentileschi

Desde a década de 1970, Gentileschi se tornou uma figura importante para acadêmicas feministas. Mais recentemente, a ascensão do movimento #MeToo deu à sua história uma nova ressonância, transformando seu trabalho em um símbolo contra a opressão das mulheres.  

O interesse pelo trabalho dela resultou também numa ascensão no mercado e, em novembro de 2019, a tela Lucretia foi vendida por quase 5,3 milhões de dólares na casa de leilões Artcurial em Paris. O National Gallery abriu sua tão aguardada individual no dia 3 de outubro: trata-se da primeira mostra do museu dedicada a uma artista feminina, apresentando 29 obras da artista. Mais de 400 anos depois, Artemisia Gentileschi segue soltando as amarras do patriarcado!

Lucretia, de Artemisia Gentileschi
Lucretia, de Artemisia Gentileschi
Susanna and the Elders, Artemisia Gentileschi
Susanna and the Elders, Artemisia Gentileschi