6 trabalhos imperdíveis para conferir nas feiras de arte em Miami

Esta semana abrem duas feiras de arte contemporêna em Miami: a clássica Art Basel Miami Beach e a jovem Untitled Art

Art Basel Miami Beach
Art Basel Miami Beach

Para quem ainda não conhece, Art Basel é uma das feiras de maior prestígio do mercado da arte. Idealizada em 1970 em Basel, na Suíça, a feira cresceu tanto que a partir de 2002 passou a ser realizada também em Miami e a após 2013 em Hong Kong. Ou seja, ela acontece anualmente na Europa, na América e na Ásia e reúne as principais galerias do mundo nestes três continentes. Em paralelo a Art Basel Miami Beach, acontecem inúmeras feiras de arte. Dentre elas, vale destacar a feira Untitled Art, que desde 2012 vem apresentando um trabalho sério com galerias de arte em ascensão.

Participam de Art Basel Miami Beach as galerias brasileiras: A Gentil Carioca, Luciana Brito Galeria, Casa Triângulo, Galeria Estação, Fortes D’Aloia & Gabriel, Gomide & Co, Galeria Jaqueline Martins, Mendes Wood DM, Galeria Millan, Nara Roesler, Simões de Assis, Galeria Luisa Strina, além da Central Galeria com um solo show.  Enquanto que na Untitled Art estão: Galeria Mapa e Portas Vilaseca Galeria.

Pensado em compartilhar com vocês um pouquinho do que está acontecendo em Miami, selecionamos 6 trabalhos de artistas brasileiros imperdíveis que participam das feiras Art Basel Miami Beach e Untitled Art. Trabalhos que levam para Miami um pouquinho do que há de mais quente (ou prestes a ficar) hoje no mercado de arte contemporânea brasileiro.

1 – ERNESTO NETO na Fortes D’Aloia & Gabriel em Art Basel Miami Beach

“O ventre sopra zun zun e infinito” foi produzido neste ano pelo artista carioca Ernesto Neto e apresenta uma dobra sútil em sua produção, que até então dedicava-se ao crochê. Tendo como inspiração os saberes manuais e os trançados dos povos originários do Brasil, este trabalho é parte de uma série de tecelagens que o artista vem desenvolvendo nos últimos tempos. Tecer e cantar são dois verbos que se destacam, não apenas pela visualidade da obra, como também por seu título. A  ideia de uma serpente que desde o ventre sopra zun zun e infinito, sugere que imaginemos a criação do mundo pela cosmovisão.

Ernesto Neto
O ventre sopra zun zun e infinito, 2021, de Ernesto Neto

2- VIVIAN CACCURI na A Gentil Carioca em Art Basel Miami Beach

“Pagode” é fruto de uma investigação iniciada por Vivian Caccuri em 2014, quando a artista realizava caminhadas silenciosas em meio aos escombros provenientes do processo de gentrificação da área da Gamboa, no Rio de Janeiro. Combinando “Pagode” com sua pesquisa mais recente chamada de “Santuário do Mosquito”, “Pagode dois eclipses” reúne bordados, desenhos de carvão, sépia e lápis de cor retratando a cópula de mosquitos, as ondas sonoras de seu incômodo ruído. Um trabalho visualmente musical, que conforme sua ativação pelo vento é capaz de reproduz sons provenientes do contato entre as pedras de ardósia.

Vivian Caccuri
Pagode dois eclipses, 2021, de Vivian Caccuri

3- MAXWELL ALEXANDRE na A Gentil Carioca em Art Basel Miami Beach

No setor Meridians, Magalí Arriola apresenta uma curadoria de  trabalhos em grande formato, onde está a pintura sem título da série “Novo Poder”, 2021, de Maxwell Alexandre. Como um rap visual, “Novo Poder” é um desdobramento de “Pardo é Papel”, feito para explorar a ideia da comunidade preta dentro dos templos consagrados para contemplação de arte. “Novo Poder” opera com três signos básicos: o preto enquanto personagens, o branco como “cubo branco” ou espaço expositivo e o pardo sendo arte. Atualmente, a série “Novo Poder” encontra-se, concomitantemente, nas exposição individuais do artista em Palais de Tokyo e nas sedes da A Gentil Carioca em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Maxwell Alexandre
Da série Novo Poder, 2021, de Maxwell Alexandre

4- RUBEM VALENTIM na Mendes Wood em Art Basel Miami Beach

Um dos artistas baianos póstumos mais célebres de nossa História da Arte, Rubem Valentim foi um artista de axé. A série “Emblema” é composta por pinturas de acrílico sobre tela com simbologias referenciadas pelo universo religioso afro-brasileiro. A combinação entre geometria, símbolos e um estudo cromático particular propõe a união do sagrado e do cartesiano, invocando questões espirituais quase que matematicamente. Neste sentido, é possível notar que “Emblema – 79” vem da fusão entre a espiritualidade e formas abstratas, vibrantes e geométricas apropriadas do construtivismo.

Rubem Valentim
Emblema – 79, 1979, de Rubem Valentim

5- MARIANA MANHÃES na Central Galeria em Art Basel Miami Beach

Em um espaço destinado à apresentação individual de artistas emergentes,  Maria Manhães apresenta o projeto “Palavras que começam com letras são tão humanas”. Com um corpo de trabalho focado em materiais orgânicos como argila crua e gesso pedra, estes são usados junto de tecidos, dispositivos eletrônicos e outras mídias para criar esculturas que se conectam umas às outras. Aqui, pequenos elementos são articulados por motores que se movem em resposta a animações em vídeo, que exibem elementos da natureza se movendo e fazendo sons, como se comunicassem uma linguagem ininteligível.

Mariana Manhães
Palavras que começam com letras são tão humanas, 2021, de Mariana Manhães

6- ZÉ CARLOS GARCIA na Portas Vilaseca Galeria em Untitled Art

Combinando sintomas estéticos do exotismo e do período colonial, “Luto Tropical” é composto por elementos que deflagram marcos de conquista europeias, narrativas territoriais e a perda do poder como um vestígio de ruína e efemeridade. Pedaços e fragmentos de móveis antigos com penas e crina de cavalo são organizadas e criam híbridos alegóricos. Ora remetendo à festividade do carnaval do Rio de Janeiro, ora remetendo a distopia da corte portuguesa, a instalação apresenta um apanhado de visualidades que contrastam em um mesmo plano metáforas da vida e da morte.

Zé Carlos Garcia
Luto Trocipical, 2021, Zé Carlos Garcia